Projeto “As Marés”

Projeto “As Marés” – A origem

Desde 1995 eu tinha a intenção de gravar um outro disco, mas, apesar de ter muitas canções que compusera depois do LP Vozes da Cidade, que havia gravado em 1980, meu projeto teve de ser adiado por vários motivos, principalmente financeiros. Foi quando participei de alguns trabalhos coletivos como Badeatles, Onde Mora o Samba e Lembrando Tom Jobim, todos como instrumentista e executando músicas de autores consagrados.

Por volta de 2002 esses projetos se encerraram e voltei a me dedicar ao meu trabalho autoral, com novas composições, novas parcerias e, em 2005, produzi o Show “A Nova Maré”, título de uma das canções, que originou a idéia de um CD com o mesmo nome. Na seleção das músicas para este disco, acabei escolhendo 18 canções que considerava imprescindíveis, mas que não caberiam num único CD sem comprometer a qualidade técnica. O resultado é que, em 2010, o projeto foi ampliado para dois CDs: “Maré Brava” e “Maré Mansa”, compondo o Álbum Duplo “As Marés”, com 28 faixas.

O tema “As Marés” surgiu naturalmente porque, além das canções que falam abertamente das marés, dos mares e das fases da lua, metaforicamente o repertório aborda várias fases da vida do nosso planeta, do nosso país e das nossas vidas.
Projeto pronto. Pré-produção elaborada. Canções escolhidas. Instrumentação esquematizada. Então, em 2012, corri atrás dos recursos para a sua produção, através da Campanha As Marés.

 

Paulo Barroso - As Marés

A Campanha

A Campanha

Um dos fatores mais dispendiosos de uma produção musical, obviamente, é o estúdio de gravação. Pensando em minimizar ao máximo os custos desta produção montei o meu próprio estúdio, o Peba na Pimenta. Mas, mesmo assim, ainda precisava das verbas para o cachê dos músicos, que, na realidade, se tornaram ajudas de custo, além dos serviços de arranjos, mixagem, masterização, replicagem e a parte gráfica.

Então pesquisei o Crownfunding ou Financiamento Coletivo, que era, e ainda é, a única forma de tornar viável uma produção musical independente. Como todos os sites conhecidos trabalhavam com uma comissão em cima do valor estipulado, resolvi fazer de forma mais independente ainda: um financiamento coletivo próprio, somente entre amigos do Facebook, em que eles pré-adquiriam o Álbum antes dele começar a ser produzido. A diferença é que eu não precisaria devolver o valor arrecadado caso o montante estipulado não fosse atingido. Para isso contei com a absoluta confiança de todos os colaboradores, aos quais agradeço novamente aqui. Para impulsionar a campanha também foram realizados shows e outras ações, como páginas no Facebook. Tive ainda a felicidade de contar com uma equipe na direção e divulgação da campanha. Sem ela, o Projeto As Marés não teria sido possível.

Agradeço imensamente a esta equipe formada por: Eliana Martinez, Renato Flôr, Cida Sarraf, Deise Capelozza, Felipe Neri, Selma Bizon, João Emílio, Oswaldo Ferreira Jr., Marici Silva e a todos integrantes do Sarau da Maria.

Através da campanha foi arrecadado 20% do orçamento previsto. Embora pouco, este montante me motivou a começar a gravar e a correr atrás do restante através de recursos pessoais e empréstimos bancários.

Assim foi feito e parti para a produção propriamente dita.

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Post inicial campanha Facebook - 08.08.2012
Post de início da campanha no Facebook – 08.08.2012

 

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  O clipe da música Irmãos de Sangue foi criado especialmente para a Campanha de financiamento coletivo do álbum duplo “As Marés”. Assista shows realizados durante a campanha de pré-venda do álbum clicando aqui

Shows Pró Campanha

Participações nos Saraus

Participações nos Saraus

Produção Musical

Produção Musical

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Desde a fase de pré-produção do álbum eu já havia convidado os músicos que fariam parte da banda de base das gravações. O fator que determinou a minha escolha, além do talento de cada um, foi a proximidade com o estúdio de maneira que pudessem cumprir o cronograma sem os atropelos de horário e trânsito. Desta forma, tive a felicidade de poder contar com a dedicação de Celso Henrique no baixo e baixolão, Willians Leite na bateria e Luiz Bró na guitarra, todos residentes na Vila Maria, mesmo bairro do meu estúdio Peba na Pimenta.

Assim, gravamos todas as bases com baixo e bateria sendo executados ao mesmo tempo e também a guitarra em boa parte delas, sempre em cima de uma guia de violão e voz.

Depois veio a percussão com o Manu, de Sorocaba, que tocou em mais de 20 faixas, executando diversos instrumentos.
Os teclados (acordeão e piano) ficaram por conta de João Bittencourt, do Rio de Janeiro, que também se encarregou dos arranjos de cordas (gravados por ele mesmo em Midi) e de sopros.

Com um time de base de alto nível como este já daria pra fazer um excelente trabalho, mas como sempre gostei de arranjos orquestrais na música popular, influenciado por George Martin (Beatles) e pelo Tropicalismo, fiz questão de incluir as cordas (violinos, violas e cellos) e os metais e sopros (flautas, flautins, saxes, clarinetes, trompetes, trompas e trombones), contando com músicos do mais alto gabarito.

Os instrumentos específicos e regionais também foram incorporados nos arranjos, seguindo a instrumentação pré-estipulada: zampoña, charango, cavaquinho, violão de 7, viola caipira e rabeca.

Finalmente, gravei os violões definitivos e todas as vozes, incluindo as dos convidados, que abrilhantaram o disco com suas belas interpretações: Deise Capelozza, Cordeiro, Helen Torres, Susie Mathias, Guerreiro, João Marques e Conrado Pera. E encerramos com um grande “Auê” final na canção que fecha o álbum, A Nova Maré.

Para a mixagem e masterização contei com a competência do Daniel Stunges para desembaraçar todas as frequências.

Uma pessoa imprescindível neste processo foi Aduzinda Barroso, que fez toda a assistência de produção do álbum.

Foram 16 meses de trabalho intenso para produzir as 28 canções, mas a satisfação de ouvir as músicas com os arranjos imaginados, compensou todo o esforço.

 

Concepção Gráfica

Concepção Gráfica

 

Desde o começo do projeto pensei em fazer a capa em tamanho de LP porque a arte gráfica do meu Álbum Vozes da Cidade foi muito elogiada. A partir da década de 60 as capas ganharam destaque dentro da produção de um disco, deixando de ser simplesmente uma embalagem para se tornar arte e parte da obra como um todo, como, por exemplo, as capas de Elifas Andreato. Com a advento do CD, em tamanho bem menor, ficou quase impossível para os artistas plásticos criarem algo que se destacasse e ressaltasse a obra musical.

Outro fator que me incentivou nessa idéia foi a de que o vinil voltou a ser apreciado por boa parte do público jovem e a parte gráfica pesa muito nesta preferência.

Tema – Parti então para a concepção gráfica baseada no tema central do Álbum: as marés e as fases da lua que, metaforicamente, representam as várias fases das nossas vidas.

Capa e Contracapa – Eu havia feito uma capa-demo para um edital e ela me deu a idéia da imagem que queria. A partir dela fiz um briefing e pedi uma pintura em tela para o artista Luiz Afonso que pintou o quadro em lápis aquarelável, com seus tons e cores inconfundíveis, retratando exatamente como eu imaginava, além de destacar o por do sol na capa e o nascer da lua na contracapa. Depois, Gustavo Pera se encarregou da foto digital do quadro para a produção gráfica.

Miolo – No início pensei em fazer caricaturas das pessoas que participaram do Álbum, mas optei por colocar as próprias fotos dos artistas com uma textura de desenho. Baseado na circunferência dos CDs, imaginei fotos da lua cheia para os rótulos de uma forma que, quando retirados, as luas cheias se transformariam em lua crescente (Maré Brava) e em lua minguante (Maré Mansa). Para interligar as duas luas, visualizei um pentagrama com um verso adaptado da canção “Mares de Minas”, que representa bem o contexto da imagem: “Mares de gentes, de nomes…”. E sob todas estas imagens foi inserida uma foto de um céu noturno, representando que as estrelas deste trabalho são todos os artistas que participaram dele. Para completar, criei dois poemas, um para Maré Brava e outro para Maré Mansa.

Encartes – Mantive a idéia do céu noturno como fundo para os textos, letras e fichas técnicas. Aqui as estrelas são as próprias canções.

Todo o trabalho de arte gráfica foi executado brilhantemente pelo artista Miag Makibara, que materializou tudo o que eu havia imaginado.

Os Artistas Gráficos

Wagner de Paula — Autor do Poema "Mar é" da contracapa
Wagner de Paula — Autor do Poema “Mar é”
Gustavo Pera — Fotos & Making Of
Gustavo Pera — Fotos & Making Of
Luiz Carlos Afonso — Quadro/Capa do Álbum
Luiz Carlos Afonso — Quadro/Capa
Miag Makibara — Arte Gráfica
Miag Makibara — Arte Gráfica

 

O que diz quem já ouviu As Marés…

O que diz quem já ouviu As Marés…

Monstro! Comecei ouvir e detalhar o seu trabalho, que orgulho de ter adquirido essa jóia rara. Parabéns, Xará. Tudo perfeito, arranjos, musicalidade, melodia, instrumentação. Cara, vou continuar me maravilhando com a verdadeira música brasileira. O que eu puder fazer para divulgar seu trabalho, eu farei, pois só quero que você seja reconhecido como um compositor que falta na nossa MPB.
Paulo Lopes
Comprador

Acabo de ouvir o álbum As Marés do cantor e compositor Paulo Barroso. Ao mesmo tempo vigoroso e lírico, o disco é variado em ritmos – samba, balada, valsa, toada, frevo – e repleto de belas canções e achados poéticos.

Trabalho autoral verdadeiro, música brasileira de qualidade.

Eduardo Baptistão
Cartunista do Estadão e profundo pesquisador de MPB
Tudo no álbum está impecável! Os arranjos são maravilhosos. A poesia, as vozes, as melodias, tudo foi como um bálsamo pra minha alma e meus ouvidos. Lindo mesmo o trabalho. Amei as pitadas de frevo, blues, bossa nova e marchinha. Presente lindo esse!

Muito sucesso, Paulo Barroso! Fazia tempo que eu não ouvia nada assim…

Hebe Fernandes
Compradora apoiadora

Tô ouvindo sem conseguir parar o “As Marés” de Paulo Barroso. Tô ouvindo direto no som do carro já faz mais de uma semana, ida e volta do serviço. Vou no balanço da Maré Brava e volto na crista da Baixa como um pássaro equilibrista.

Uma canção é mais linda que a outra e todas as canções são assim e faço uma recomendação a quem ainda não conhece “As Marés”: não perca mais tempo e corra para ouvir, você não imagina o que está perdendo.

Akira Yamasaki
Poeta e comprador

Hoje ouvi os 2 CD’s do álbum As Marés. Obrigado pela honra de incluir uma parceria nossa, que ficou maravilhosa. Você sempre generoso, unindo. Parabéns pelo magnífico trabalho, nos arranjos, as meninas Deise e a Suzie em interpretações marcantes. Parabéns a todos que participaram, músicos, convidados, artista gráfico, muito bom gosto.

No mais, todo sucesso e reconhecimento que você merece e o Brasil lhe deve.

Lé Dantas
Compositor e parceiro em "Febre Devida" do CD Maré Brava
Letras, Cifras & Partituras

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Quer uma palinha?

Quer uma palinha?

Ouça os trechos de cada uma das faixas contidas no álbum


Assista o Clipe Making Of Compre As Marés